CONFEA acaba com a Engenharia nacional. E quer trazer estrangeiros para vagas dos profissionais do Brasil

CONFEA acaba com a Engenharia nacional. E quer trazer estrangeiros para vagas dos profissionais do Brasil


O Projeto de Lei 1024/20: apesar de atingir diretamente os engenheiros brasileiros, a gestão do CONFEA silencia e barganha contrapartidas para não atrapalhar a aprovação do projeto.

O ATUAL COMANDO DO CONFEA DO JOEL É O RESPONSÁVEL POR TAIS BARBARIDADES CONTRA OS ENGENHEIROS BRASILEIROS!!! A OPOSIÇÃO PRETENDE MUDAR O PROJETO DE LEI 1024/20, QUE SÓ PREJUDICA OS PROFISSIONAIS DA ENGENHARIA. A ATUAL GESTÃO DOS INTERINOS DO CREA-RS ESTÁ COMPACTUANDO COM O JOEL!!! ISTO É FATO!!! ONDE ESTÁ O “COMBATIVO” SENGE-RS, AGORA???

Confea abre consulta sobre atuação dos engenheiros agrimensores e  cartógrafos - MundoGEO

O sonho de Thaiany Mota da Silva (34), do Amazonas, teve seu auge em 2010, quando se formou em Engenharia Civil. Depois de oito anos e três empregos, ela teve de deixar a Engenharia e vem procurando uma colocação no mercado para dar continuidade ao seu sonho. Há um mês trabalha como assistente administrativa, aguardando ser chamada num concurso público para o cargo de merendeira. Alisson Oliveira (31) optou por atividade autônoma como saída para o desemprego. O baiano se formou em Engenharia Civil em 2013. Conseguiu trabalhar na área por um ano. Perdeu o emprego e, desde então, nunca conseguiu se recolocar. Hoje, trabalha como motorista de aplicativo e sonha com o dia em que possa deixar o Brasil, tamanha a desilusão que sofreu.

Assim como Thaiany e Alisson, milhares de profissionais da Engenharia enfrentam cada vez mais dificuldades todos os anos para entrar ou permanecer no mercado de trabalho. Tiveram os sonhos, planos e expectativas de vida reduzidos a nada por incompetência e omissão de quem deveria zelar por suas carreiras. Uma série de más decisões, de omissões e de interesses pessoais durante os mais de dois anos da atual gestão do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA (gestão candidata à reeleição) transformou uma realidade já difícil em intolerável. Criado há 87 anos e já tendo sido um dos maiores Conselhos do mundo, com mais de um milhão de profissionais, o CONFEA está jogando sua história no lixo.

O Sistema vem sofrendo baixas que estão minando cada vez mais o poder e o protagonismo da categoria. Arquitetos e técnicos debandaram, abocanhando faixas de mercado que antes pertenciam aos profissionais dos CREAs. Para piorar, o Conselho abriu as portas – e silencia – para a ameaça que vem de fora: tramita na Câmara Federal o Projeto de Lei 1024/20 que altera as regras de registro profissional de engenheiros e empresas nos Conselhos Regionais (CREAs) para facilitar a contratação de estrangeiros no
mercado brasileiro. A ocupação acontece sem nenhum benefício aos profissionais brasileiros, como a transferência de tecnologia. Pelo contrário, os estrangeiros farão com que o processo de construção seja cada vez mais industrializado e menos humanizado. Os já prejudicados profissionais brasileiros podem perder a vaga, sem cerimônia, para um trabalhador de fora, sem ter os mesmos direitos, sem uma reciprocidade coerente.

Imagina-se que o CONFEA poderia ter utilizado os grandiosos recursos com as viagens e diárias do seu presidente licenciado, inclusive viagens internacionais para países como Portugal, França e Estados Unidos e cidades como Cancun e Londres, para realizar acordos vantajosos para profissionais brasileiros. Essas despesas do presidente licenciado (candidato à reeleição) custaram o módico valor de R$ 635.360,00. Espera-se o retorno desse “investimento” do Conselho Federal, afinal, a origem deste dinheiro são as Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) e anuidades pagas por vocês, profissionais.

O Brasil precisa de todos os seus profissionais da área tecnológica. Mas o Confea não faz nada

Segundo um levantamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, 80 mil estudantes se formaram em diversos campos da engenharia, em 2015. O número é alto, porém, quase que irrelevante, se comparado a outros países. Outras nações têm muito mais desses profissionais essenciais para o desenvolvimento nacional. Índia e China formam, respectivamente, 220 mil e 650 mil novos engenheiros por ano. Então, por que aqui no Brasil tantos profissionais com registro no CREA estão perdendo empregos ou largando a profissão?

O Brasil possui uma grande demanda por infraestrutura, que não foi preenchida. Isso sem falar na parte habitacional, que possui um gigantesco déficit. Fatores externos, como crises econômicas e políticas, têm impacto direto na empregabilidade dos profissionais, mas no caso das profissões da área tecnológica, campo essencial para o desenvolvimento de uma nação e que formam o pilar social para a infraestrutura do país, o que mais choca é que o principal fator para a crise da categoria seja a falta de empenho e gestão do seu Conselho Profissional. O desinteresse e o abandono dos profissionais, pela falta de espaço, mergulharam a todos em uma grande crise.

As consequências são desastrosas e ainda estão longe de terminar, caso nada seja feito. São gerações e gerações de profissionais que estão sofrendo o peso de uma má administração do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. O que pode trazer, inclusive, problemas para o desenvolvimento do país. O que se vê hoje é um descompasso com a realidade, onde o mundo evolui, os governos mudam e é preciso visão e planejamento para acompanhar e se adiantar às mudanças. A gestão do Conselho não se preparou de modo que a importância dos profissionais não fosse diminuída e impactada pelos reveses econômicos. Tal mudança afeta não apenas a categoria, mas também a integridade e segurança da
população em geral, que vai receber serviços de extrema importância feitos por profissionais sem a qualificação adequada. A divisão dos profissionais causou, também, uma defasagem quando se fala de tecnologia. O novo sistema que chega ao país, o BIM, não conta com a participação de engenheiros em seu desenvolvimento e implantação.

É claro que a situação é preocupante, mas ainda reversível. É necessária uma mudança drástica na administração da categoria. É hora de dar o apoio necessário aos profissionais que já estão no mercado de trabalho, sofrendo com desemprego e subemprego, e também aos que estão chegando agora. Os números de países em franco desenvolvimento, como os já citados China e Índia, mostram que os profissionais com registro nos CREAs são necessários em maior número do que são formados hoje no Brasil. É preciso oferecer alternativas e melhorias para que se encaixem no mercado de trabalho: maior aproveitamento de engenheiros, agrônomos, geólogos, geógrafos, meteorologistas e tecnólogos em papeis sociais e no desenvolvimento tecnológico e, principalmente, a retomada da força como categoria, trazendo de volta a soberania e os direitos perdidos nos últimos anos.

Não é possível ficar de braços cruzados vendo toda uma categoria importante sendo dizimada, sofrendo um desmonte humilhante. É uma luta árdua, mas que pode beneficiar milhões de brasileiros, não apenas os profissionais. O Brasil pode ter um futuro melhor, com profissionais mais fortes e preparados.

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