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28 de novembro de 2021
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COP-26: Painel critica programa de carvão no sul do Brasil enquanto Austrália rejeita acordo e manterá venda de carvão ‘por anos’

No debate, o coordenador do portfólio de energia do Instituto Clima e Sociedade, Roberto Kishinami, explicou que uma transição justa para uma economia sem carvão diz respeito a prover condições de sobrevivência aos trabalhadores que antes dependiam das atividades econômicas ligadas ao carvão e tiveram de encerrá-las por força de lei. Ele pediu ao governador do Rio Grande do Sul que falasse sobre o planejamento de políticas públicas nesse sentido. Leite se limitou a dizer que “é favorável à busca de soluções”, mas que essa discussão no âmbito público ainda é incipiente.

O debate aconteceu no espaço Brazil Climate Action Hub e contou ainda com a participação de Ricardo Baitelo, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema); Nicole Oliveira, do Instituto Internacional Arayara e Observatório do Carvão Mineral e Lucie Pinson, do Reclaim Finance (TBC).

Em sua apresentação, Nicole Oliveira mostrou os prejuízos causados pela exploração do carvão, como os danos sistêmicos ao meio ambiente, ao clima e à saúde pelas atividades de mineração de carvão do Complexo Jorge Lacerda, o maior polo carbonífero de Santa Catarina. Entre os danos citados estão a contaminação de solo, ar, água e animais da pecuária de corte com elementos tóxicos e a emissão de GEE.

Oliveira também abordou a intenção de governos locais de continuar produzindo energia com o carvão mineral de baixa qualidade já extraído desses complexos. O custo acumulado desses danos até o momento foi estimado em R$1,5 bilhão. O custo estimado com reparações e indenizações chegaria a R$ 6 bilhões, e o número de pessoas afetadas, a 1 milhão.

“Não vale a pena. A termelétrica foi vendida por R$ 300 milhões para gerar um passivo de R$ 6 bilhões. Quem arca com esse custo? Vai sobrar para a União e nós não queremos isso. O carvão é a energia do passado”, ressalta Nicole Oliveira.

Já Ricardo Baitelo, do Iema, defendeu que a energia solar fotovoltaica ganhe mais espaço na matriz elétrica brasileira na substituição de fontes mais poluentes. Ele ressaltou que as hidrelétricas – base da geração de energia brasileira -, estão esvaziando em função das mudanças climáticas, e que devem ser substituídas por energia renovável, e não por energia fóssil como vem ocorrendo.

Ele destacou a contratação de 8 megawatts em usinas térmicas a gás natural autorizadas na privatização da Eletrobrás, que vão emitir até 20 milhões de toneladas de CO2 anuais entre 2026 e 2045.
“De forma cumulativa, isso equivale a mais de um ano de emissões do sistema de transportes inteiro, considerando passageiros e cargas”, disse Baitelo durante o debate..

Enquanto isso!!!

A Austrália informou nesta segunda-feira, 8, que venderá carvão por “décadas no futuro”. O país rejeitou um pacto destinado a eliminar, gradualmente, o combustível fóssil poluente para combater a mudança climática.

Em Glasgow, na Escócia, durante a Conferência do Clima (COP26), 77 países se comprometeram a eliminar o uso de carvão nas próximas décadas.

A Austrália não assinou o acordo, assim como outros grandes países consumidores de carvão, como a China, os Estados Unidos e a Índia.

“Dissemos claramente que não fecharemos as minas de carvão e não fecharemos as centrais elétricas movidas a carvão”, declarou o ministro australiano de Recursos, Keith Pitt, à rede de televisão ABC.

Pitt garantiu que o carvão de seu país está entre os de maior qualidade do mundo. “É por isso que continuaremos tendo mercados nas próximas décadas, e se eles comprarem nós venderemos”, completou.

O ministro antecipou que a demanda por carvão vai crescer até 2030. “Se não ganharmos esse mercado, outros vão fazer isso”, disse ele.





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