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8 de dezembro de 2021
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Lula ameniza repressão em Cuba: “Essas coisas acontecem no mundo inteiro”

Em uma longa entrevista concedida ao jornal espanhol El País, o ex-presidente Lula relativizou os protestos ocorridos em Cuba contra o governo em Havana. Ao ser questionado sobre a repressão policial às manifestações, o petista disse “que essas coisas acontecem no mundo inteiro” e fez uma comparação com os efeitos do bloqueio norte-americano à ilha durante a pandemia de Covid-19.

As jornalistas Pepa Bueno e Lucía Abellán questionaram Lula sobre qual seria o diagnóstico dele sobre o fato de as eleições na Nicarágua não terem sido reconhecidas pela comunidade internacional. O petista respondeu que era contra a candidatura de Daniel Ortega, assim como já tinha sido contra as tentativas de Evo Morales e Hugo Chávez de conquistarem um novo mandato. A informação é da Gazeta do Povo.

“Posso ser contra, mas não posso interferir nas decisões de um povo. Por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder, e Daniel Ortega não? Por que Margaret Thatcher pode ficar 12 anos no poder, e Chávez não? Por que Felipe González pôde ficar 14 anos no poder?”, questionou o petista.

Ao ser confrontado com o fato de que Ortega mandou prender seus opositores, ao contrário de Merkel e do espanhol González, Lula disse que não pode julgar o que aconteceu na Nicarágua. “Eu fui preso no Brasil. Não sei o que essas pessoas fizeram. Só sei que eu não fiz nada”.

Depois da eleição de Ortega, o PT publicou em seu site oficial uma nota na qual parabenizava a recondução do ditador e saudava a grande manifestação “popular e democrática deste país irmão”. Depois de ter recebido uma série de críticas, a deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, alegou que o texto “não foi submetido à direção partidária – a nota foi então apagada.

“Essas coisas acontecem no mundo inteiro”

Perguntado se a proibição das manifestações em Cuba também seriam também um caso de limitação de direitos na América Latina, o petista relativizou a repressão praticada pelo ditador Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez.

“Essas coisas não acontecem só em Cuba, mas no mundo inteiro. A polícia bate em muita gente, é violenta. É engraçado porque a gente reclama de uma decisão que evitou os protestos em Cuba, mas não reclama que os cubanos estavam preparados para dar a vacina e não tinham seringas, e os americanos não permitiam a entrada de seringas. Eu acho que as pessoas têm o direito de protestar, da mesma forma que no Brasil. Mas precisamos parar de condenar Cuba e condenar um pouco mais o bloqueio dos Estados Unidos”, disse Lula ao El País.

As jornalistas questionaram o petista se não seria possível fazer ambas as coisas, condenar o bloqueio norte-americano e pedir liberdade aos opositores nas ruas, ao mesmo tempo. Lula respondeu com outra pergunta.

“Quem decide a liberdade de Cuba se não o povo cubano? O problema da democracia em Cuba não será resolvido instigando os opositores a criar problemas para o Governo. Será conquistada quando o bloqueio acabar”, afirmou.





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