20.8 C
Porto Alegre
28 de novembro de 2021
-Patrocinado-spot_img

MPF arquiva inquérito e diz que ritual de esquartejamento indígena é cultural

A 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF) arquivou uma investigação sobre o “homicídio” de um jovem indígena Munduruku que teria sido esquartejado e morto no âmbito de um ritual da etnia dele.

O órgão assegurou ser “imperiosa a necessidade de resguardar a manifestação cultural da etnia”.

Em contrapartida, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), que é comandado por Damares Alves, repudiou a decisão do MPF, em nota pública, e disse que “a conivência com a prática desumana representa verdadeira desvalorização da vida indígena”.

A homologação do arquivamento feito pela 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF ocorreu no último dia 8 de novembro. A decisão foi baseada em parecer técnico de um analista de antropologia do Ministério Público da União (MPU) e em nota técnica que “revelaram que a dinâmica dos fatos praticados indicaram efetivamente a prática de um ritual próprio dos indígenas e que faz parte da histórica formação de novas aldeias”.

O indígena de 16 anos foi assassinado em junho de 2015. Segundo relato da mãe na delegacia de Polícia Civil de Itaituba, no Pará, o adolescente foi morto a tiros por outros dois indígenas, na aldeia Sai Cinza.

A morte do adolescente ocorreu no contexto de um ritual tradicional da etnia Munduruku denominado pajelança brava, relata o MPF. “Ele foi morto dentro de casa, a tiros de espingarda, teve seu corpo arrastado até o rio Cabitutu, distante aproximadamente 10 km, onde foi esquartejado em pequenos pedaços, retiraram seu fígado e coração, triturando-os, e as demais partes do corpo foram amarradas em uma pedra e jogadas no rio”.

“homicídio” foi atribuído a feitiçaria que o adolescente teria feito e que resultou na morte de um outro indígena. A vítima era apontada como pajé bravo e deveria ser executada pela comunidade em razão da prática de “magia negra”.

O código criminal dos índios Munduruku, segundo o MPF, diz que a magia negra é a única conduta possível de pena máxima (morte) e que os indígenas se mostram extremamente insatisfeitos com a exposição do caso para fora da sociedade.





Artigos Relacionados

Fique conectado

2,758FãsCurtir
2,655SeguidoresSeguir
856InscritosInscrever
- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias